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Narizes, Narizes:
Em “Olavo Bilac – Obra Reunida” mais precisamente na parte de prosa¹, Bilac trata dos feiticismos dos poetas brasileiros. E entre tantos feitiços cita uma poesia de Bernardo Guimarães:
“Cantem outros os olhos, os cabelos
E mil coisas gentis
Das belas suas; eu, da minha amada,
Cantar quero o nariz.
Não sei que fado mísero e mesquinho
É este do nariz:
Que poeta nenhum em prosa e verso
Cantá-lo jamais quis.
Os dentes são pérolas,
Os lábios rubis;
As tranças lustrosas
São laços sutis;
Que prendem, que enleiam
Amante feliz;
É colo de garça
A nívea cerviz;
Porém ninguém diz
O que é o nariz.
Beijam-se os cabelos,
E os olhos belos
E a boca mimosa,
E a face de rosa
De fresco matiz;
E nem um só beijo
Fica de sobejo
Para um só nariz...
Ai! Pobre nariz,
És bem infeliz!...”
Bilac, como rigoroso que era, diz que Bernardo Guimarães “Não conseguiu manter a inspiração do seu poema”. Eu, porém, que não chego aos pés dele, sinto-me feliz nessa sua exaltação do nariz.
Ao ler o poema lembrei-me da imagem deste blog a qual escolhi unicamente pela semelhança do nariz da mulher com o meu.
Bernardo já se foi, suas palavras sobre o nariz ainda servem-me de consolo, mas nunca poderei ouvi-las recitadas de sua própria boca... Resta-me então contentar-me com as meigas palavras de meu irmão: “Teu nariz é tão fino que poderia estourar uma bola”. E como ele torna-se merecedor de uma bela retribuição, retruco: “E o teu mais parece uma panela!”
Nota: 1. Pra quem não sabia Olavo Bilac também escreveu prosa... Ou será que eu era a única? xD